Enquanto isso, brinquemos de polícia…

Promoção, promoção, promoção… como claro reflexo de uma frustração, o círculo de oficiais da Polícia Militar de Alagoas, só pensa nisso, só fala disso e quando não, só não é em Segurança Pública que se pensa. Todos pensando em abandonar o barco, ou roer o queijo podre escondido no porão.
E eu devo ser de duas opções, uma: covarde-acomodado, por não ter se esforçado para tentar algo fora e passivamente ter ficado calado; ou então sou covarde-burro, por ter comido toda essa pequenez sem perceber o que estava acontecendo.
Oh, Instituição burra! Incrível, são pessoas fantásticas, inteligentíssimas, individualmente. Juntas sob a égide de uma cultura organizacional, com valores, crenças e mitos derrocados e combalidos, são uma massa acéfala, cabeça balançando igual a catenga. Quem quer que sente nas cadeiras de ouro e madeira da responsabilidade, apesar de saberem de tudo isso, mesmo querendo alterar, estarão literalmente "num mato sem amigos".
Um monumental desperdício de talentos, neutralizados, sufocados por um conjunto de forças que os fazem olhar para o próprio umbigo. Os olhares estão voltados apenas para o intramuros, para as medíocres questões internas, picuinhas, fofocas… Não conseguem se desvencilhar disso e olhar que ao redor a sociedade está em chamas, num incêndio do tamanho do descaso do Governo para com as políticas públicas de bem-estar e segurança, do tamanho do descaso do comando para com as pessoas que compõe o quadro operativo, do tamanho do descaso dos oficiais para com os dramas diários das praças, do tamanho do descaso do policial de rua para com os problemas da comunidade, compelindo a isso por toda a cadeia de desprezo.
Coloquem seus paletós e gravatas, viajem de avião e helicóptero e mandem essa massa de ignorantes se explodirem mesmo! E mais, calem a boca imediatamente desses doidos, que estão enxergando e ousando dizer, eles são perigosos!
Onde estão os jovens da década de 70, ingressos na Corporação no final da década de 80, início da de 90, que viram barbaridades acontecer, tiveram sangue e esgoto respingando em seus pés, mantiveram-se fortes e não cederam, e hoje deveriam ser os reformuladores? Meu Deus, ajude-me a não sentir saudade dos cardeais, esses aí, estão se prestando a um papel pior, pelo menos dos outros nós já sabíamos o que esperar.
Admiro alguns itens que estão sendo contemplados, nas recentes gestões, realmente algo de estrutura, principalmente de equipamentos, tem ocorrido uma melhora substancial. Mas isso é pouco, frente a um desafio que estão ignorando: o dilema do trato com as pessoas. É pessoas! Ou será que ainda não deram conta de que por baixo da farde tem pessoas? Pais, mães, filhos, anseios, carne, vontades, desgostos, cidadãos…
Se hoje eu tivesse que falar mais sobre a situação da Polícia Militar e em particular no nosso Estado, não poderia, por que alguém já escreveu tudo o que eu falaria (diferentemente de alguns colegas meus, que marcaram o texto com "apenas encaminhando", eu não só encaminho), faço do texto abaixo[i] palavras minhas.
Sem um profundo processo de valorização humana e um repensar no modelo de serviço prestado a sociedade, estaremos apenas brincando de fazer polícia.


[i] A Polícia Militar de Alagoas atravessa uma das maiores crises de sua história. Não se trata de uma crise institucional somente. O problema é mais agudo no tocante às relações humanas dentro da corporação, ironicamente comandada por um grupo de oficiais que se acreditava mais avançado em ideias. A PM segue com um enorme contingente de homens e mulheres desestimulados que simplesmente não pode mais ser ignorado. Homens e mulheres que, em sua maioria, contam nos dedos o tempo de protocolar o requerimento para ingressar na reserva e sentirem-se livres, não do trabalho, mas de grilhões forjados por regras e comportamentos rígidos e estranhos ao avanço democrático da sociedade brasileira. Há um descontentamento geral. As escalas de serviço são uma unanimidade em reclamações. Elas não respeitam o fato de que a categoria exerce a profissão mais arriscada do País, com um índice brutal de vitimização de policiais. Elas são feitas no velho molde "missão dada é missão cumprida". Mas, nesses novos tempos, uma pergunta não cala: que tipo de missão e quais as condições ideais para executá-la? As escalas se apoiam na indefinição injustificada de uma carga horária. Surgirá quem diga que "o militar é superior ao tempo", uma frase que poderia ter sentido somente no campo da mitologia. Por baixo da farda há carne e osso; há dor e sofrimento, e não deuses do Olimpo. As escalas igualmente ignoram outros fatores de risco: exposição a altas temperaturas dentro de viaturas e mini postos policiais (box), exposição ao sol, problemas de coluna causados pelo peso de equipamentos como armas, coletes, bastões e outros apetrechos bélicos e assentos inadequados, estresse causado pelo perigo de morte constante, problemas de audição resultantes da exposição ao trânsito, a sirenes e rádios das viaturas, e alimentação inadequada em certos turnos de trabalho, principalmente em regiões de difícil acesso. A corporação simplesmente ignora tais fatores. O mais difícil e angustiante é entender essa insensibilidade institucional. Os profissionais da PM, quando exigem respeito e segurança no trabalho, direito de todo trabalhador e dever do Estado, ao invés de atendidos, são criminalizados. Há uma inversão de valores. A hierarquia e a disciplina sempre foram mostradas como base da corporação militar. Ledo engano. Elas são à base da organização administrativa de qualquer corporação. A verdadeira base e esteio de uma instituição são os seres humanos. Sem eles nada faz sentido. Quem você levaria ao cinema? A hierarquia, ou a disciplina? Nesse caso, o homem é, de fato, "a medida de todas as coisas". Se as bases não estão firmes toda a estrutura corre perigo. Essa situação demonstra que o comando da corporação carece de um plano de gestão. O planejamento precisa envolver a todos, do contrário, não é um plano, mas a pura e simples vontade de quem manda. As perseguições aos que "alopram" demonstram isso. Um projeto de gestão amplamente discutido não tem lugar para perseguições. Tem lugar para ideias e práticas saudáveis e de caráter universal. Assim como em Alagoas, as demais polícias militares carecem de reformulação urgente. Toda a gigantesca estrutura dessas corporações se assenta no modelo de quartel herdado do Exército, cuja missão não é de segurança pública, mas de defesa da Pátria. Todas as policiais militares do Brasil, absolutamente todas, possuem uma percentagem de efetivos que não atua, nem nunca atuará diretamente na atividade fim. Tendo consciência disso, fica mais fácil não querer compensar essa evasão de contingente sacrificando os que estão encarregados do trabalho policial nas ruas. A crise na PM só será contornada - com claros benefícios para a sociedade - quando os homens e mulheres sentirem orgulho da profissão. A valorização é a condição sine qua non dessa transformação; o modo pelo qual a reserva virá naturalmente, e não como a única saída para os problemas dos policiais militares.


Nota: texto e foto enviados por e-mail.

4 comentários :

Anônimo disse...

É TODO SENTIMENTO QUE OS PPMM ESTÃO SENTINDO

Jenésio, o Pecador disse...

Quanto mais eu leio esses textos mais eu fico horrorizado. Eu que pensava que já sabia o suficiente sobre polícia, ou melhor, sobre a PMAL, sinto que cada vez mais eu estava alienado dessas verdades.

Uma Policial disse...

O Tenente Coronel Alcântara (imagina-se) sabe muito de informática, foi escolhido a dedo pelo Comando para apurar a responsabilidade dos autores dessa página conforme publicação em BGO. Então, vocês terão de fazer tudo para que o blog não seja ligado ao nome de ninguém, isto é, aos seus reais nomes (o que já vem acontecendo e muito bem, pois ninguém sabe ao certo quem sejam vocês e nem quantos vocês são ou suas reais patentes ou postos), mas também terão de tomar cuidado para que não tenham rastros em suas máquinas. Sacaram? Se vocês fizerem uma ligeira busca no Google, certamente vão encontrar um monte de informações sobre como criptografar o computador (leia-se, o HD do computador). Escolham um bom programa, façam o download no site baixaki, seguindo o passo-a-passo das recomendações (que também podem ser encontradas no Google), coloquem uma senha complexa (variando letras - maiúsculas e minúsculas - e números, tudo misturado), e depois é só esperar para ver se alguma coisa (nova) acontece por parte do Comando ou até mesmo por parte da SEDS. Façam isso, que dessa forma nem mesmo os nerds da Polícia Federal, que bem provavelmente serão solicitados, irão conseguir verificar os dados do HD dos suspeitos que certamente serão apontados. Quanto ao IP (Internet Protocol), desde que as suas conexões não sejam fixa, fiquem tranquilos que a IP (popular: Identificação Pessoal – do computador) muda sempre que a máquina é reiniciada. Contudo, não é bom enviar e-mails nem colocar textos no blog usando computadores de suas residências ou seus computadores portáteis, muito embora o endereço de IP do blogspot seja da Califórnia, USA. Usem lan houses (não repetindo as mesmas máquinas em sequência e evitando usar as que já foram usadas anteriormente) e shoppings. Se possível, tenham sempre a mãos um pendrive (também criptografado), com um programa tipo "CCleaner", para sempre limpar os dados deixados na máquina utilizada. Outra dica que dou é: a cada texto que vocês forem divulgar modifiquem a senha que foi utilizada no computador anterior. E a razão é bem simples: caso consigam localizar alguma das lan houses, a senha já terá sido modificada em outra. Eu imagino que essas recomendações devam ser desnecessárias, haja vista que em equipe vocês já devam ter levantado inúmeras questões inerentes à ocultação dos rastros e às devidas precauções. Por fim, e aí seria chover no molhado, o que eu tenho a lhes dizer é: TEM MUITA GENTE (COMO É O MEU CASO) QUE ESTÁ GOSTANDO MUITO DO TRABALHO DE VOCÊS E NÃO QUER QUE NADA LHES ACONTEÇA; RAZÃO PELA QUAL DEIXO EM FORMA DE COMENTÁRIO ESSAS RECOMENDAÇÕES. Para finalizar, o que mais eu tenho a recomendar é: sigam as mesmas táticas que o Capitão Mano utiliza, e isso não vai dar em nada PARA VOCÊS.

PM Alerta disse...

Caros amigos, estou aqui incomodadndo novavente...
Sabe o que é engraçado? É o oficial, filho de fulano que tomava cana nas gandaias do Pilar com o Cel. Rocha(antes de colocar as funcionárias na PMAL), ou a mãe pedia a Denilma para dar emprego para aquele filho que não conseguia sair do pré-mobral; dizer a célebre frase:"- ESTUDEM PORQUE EU ESTUDEI!". Brincadeira, né? Tem cidadão com estrelas que não passariam nem no meu concurso para soldado. devo admitir que tem muitos intelectualizados, preparados e com condições de executar um bom comando. Porém, o mais ridículo que se pode constatar é que existem entre a classe dos praças aqueles que dizem outra célebre frase:"- Tá achando ruim? Vá trabalhar no comércio." Esse cidadão fala isso num tom de sociólogo que faz inveja até ao Fernando Henrique Cardoso, e, quando você vê é aquele sujeito que fala mal de todo mundo, vive dando macete, pede mais favor ao oficial que muçulmano para Alá, acha que sabe tudo e só fala besteira, e no final das contas quando a classe consegue qualquer conquista fica logo empolgado para usufruir. Sem falar que a relação entre o nível de cultura da concorrência que há hoje em dia e o seu intelecto ser camelô é um bom negócio. A PEC 300 tá aí parada por isso, todos acomodados ou oprimidos por comandantes que dizem: "Estou na corporação a mais de vinte anos, e sempre foi assim nada mudou. Não adianta lutar." Deixa disso! Conseguimos processar coronéis, promoções na justiça, botamos juízes no xadrez da viatura(Lembra do Bittencourt e do Remigio?), tiramos o Suruagy(ou vocês acham que o pessoal da saúde e educação enfrentaria o exército sem os PM's lá, pq a PC não teria chance contra os alfaces Kid's do EB). Senhores paremos com a brincadeira! Isso só vai parar quando o todos os motoristas entregarem a chave(porque esmola de classificação se tem vaga para promover todo mundo?), a extra só acaba quando a burocracia entregar a cadeira (afinal de contas 6 horas contínuas equivalem a uma jornada inteira de trabalho), pois todos somos combatentes. Mas enquanto houver aquele que diga é melhor assim que estar na rua, a classificação quebra um galho lá em casa, o médico disse para não fazer esforço mas eu fico em pé para não levar banguela... Bem, ao que me consta, temos vaga para de mais de 14.000, isso mesmo, o nosso quadro de combatentes tem essa previsão desde 2001. Então promovam os praças, diginifiquem a nossa escala, coloquem salários justos(justo como o aumento dos oficiais superiores). Então poderemos trabalhar de verdade.

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