PMs do sexo feminino sofrem assédios moral e sexual

Infelizmente o Comando da Polícia Militar de Alagoas não tem conhecimento por iniciativa interna, "atualmente", de nenhum caso de assédio moral, sexual, constrangimentos, transferências irregulares e humilhações a que são ou foram expostas policiais militares do sexo feminino, conforme as ações judiciais em andamento ou conforme as queixas que volta e meia sempre são divulgadas na imprensa.
Nosso comando, ao se referir à corporação, muitas vezes age ignorando a nossa presença, a presença das mulheres da Polícia Militar, ou quando o faz, não se toca da nossa condição de mulher, fato este que se evidencia nas aquisições de fardamentos e coletes inapropriados à nossa condição física, assim como nas condições estruturais das OPMs. Tais ações demonstram que, mesmo tendo passado mais de duas décadas do nosso ingresso na corporação, até hoje a PM não se adaptou a essa realidade; a realidade que cada vez mais mostra que nós somos submetidas a humilhações que se aproximam do sujo, do espúrio, do cínico, do macabro.
Situações estas que na grande maioria das vezes faz com que omitamos até mesmo para os nossos parentes o que vivenciamos dentro do ambiente de trabalho onde desempenhamos as nossas atividades. E tal afirmação, caros comandantes, não se baseia nas conclusões apenas desta policial militar, mas, sobretudo na realidade que salta aos olhos de qualquer um. Façam uma pesquisa de campo conosco, procurem saber o que nos aflige, procurem se inteirar das ações judiciais que estamos movendo contra oficiais... Faça o que fizerem, façam alguma coisa.
Quanto às questões de falta de infraestrutura das unidades da PMAL para acomodar as mulheres, melhor dizer, para nos acomodar, durante o desempenho de nossas atividades, até admitimos que umas poucas Unidades possuem dormitórios e/ou banheiros específicos para a utilização das mulheres, entretanto, independentemente desse fato, reconhecemos que nunca uma policial militar foi obrigada a dormir no mesmo ambiente que policiais do sexo masculino ou a utilizar os seus banheiros, isso porque dormimos no chão do corredor ou na sala da P1, como é o caso – a nível de exemplo – das companheiras do 9º BPM, ou sufocamos ao máximo a vontade de ir ao banheiro, situação esta que é de conhecimento de todos os comandos que passam pelas Unidades seja da capital ou do interior. E não venham dizer que nós não passamos situações vexatórias, porque só quem sabe o que passamos é nós mesmas.
O policiamento que nós realizamos, seja o PO ou o serviço motorizado, ou as esporádicas extras que "somente são realizadas de vez em quando", não é planejado com a previsão de banheiros químicos masculinos e femininos nos postos de trabalho, a exemplo das extras nos estádios de futebol, para uso exclusivo do policial militar que esteja de serviço.
E como isso tudo não bastasse, ainda querem nos tirar o direito de usarmos brincos e batons, sob o argumento que pertencemos a uma instituição que é militar e que o militarismo não admite certas "situações", tais quais as evidenciadas neste parágrafo. Mas por que eu estou falando isso? Por que essa semana ao passar pelo QCG eu tomei conhecimento por intermédio de uma colega que as policiais militares estão orientadas a não usar maquiagens, brincos e algumas tonalidades de batons, devendo passar a utilizar roupas mais folgadas para que não chamassem a atenção (?). E de quem está partindo essas "orientações"? Respondo: de ninguém mais, ninguém menos, que de alguém que não gosta de mulher. É, só pode ser... Afinal, quem gosta, gosta; e quem não gosta, desdenha. Mas não fique imaginando que eu quero que você goste de mim, não, dona "otoridade". Basta respeitar os meus direitos que isso já me realiza como profissional. E não pense você que o tal "circuito aeróbico" realizado semana passada na Academia de Polícia Militar, que dizem, foi feito em nossa homenagem, o qual tivemos de que comparecer para não ficarmos presas por 4 dias (no mínimo), foi uma forma de nos prestigiar porque não foi. Fomos obrigadas a ir para a tal comemoração, onde suamos, e no final nem água para beber tinha; banho então, só em casa. Ah, refirmo-me às Praças em geral. Tivemos de ir para casa (de ônibus) sujas. Nunca vi uma forma tão absurda de se homenagear alguém.
Fazendo um rápido adendo: ainda essa semana eu falei com uma amiga minha, que é casada com o (...) de uma certa Unidade (central) do interior. Essa "otoridade", por sinal, segundo ela, estava na APM no dia 15/03 participando de uma reunião... Eu faço questão de tocar nesse assunto, por uma simples razão: tem oficial se valendo dessa situação (a de oficial), ou outros instrutores, para dar em cima das alunas do curso de formação de praças, como sempre acontece. Essa amiga mesmo, passou por isso. Embora hoje ela se diga "bem casada", em contra partida ela também não nega que tenha dado inúmeros "foras" no "Ca"marada, somente tendo aceitando as suas investidas porque ele é "car"ismático e ela estava com medo de perder o curso. Eu entendo bem o que ela passou, porque comigo em Maceió não foi muito diferente. Aproveitando o momento, vou dar um recado: ei, "Ca"... "car"... PÁRA DE ABASTECER SEU CARRÃO NA BOMBA DO... Sua mulher finge que não se liga nisso, mas ela observa as coisas e também ouve os comentários. Outra coisa, modifica a sua forma de tratar os subordinados, ou então eu vou revelar o seu nome e os seus feitos aqui, Amigo, os quais garanto: virão acompanhados de nítida imagem da placa de um carro de cor escura que estava sendo abastecido interna corporis (o recado foi dado). Argh, tem horas que eu fico pê da vida!
Voltando ao nosso texto, diante de tudo o que foi exposto e dos contrapontos aqui elencados, considero que a única repercussão negativa que há de ficar é a do comando que primeiro ignora a realidade vivenciada por nós mulheres e que depois ainda tenta nos coibir do uso materiais que são praticamente parte do nosso DNA, se é que assim podemos definir. Tendo em vista que as próprias policiais militares de Alagoas hão de considerar, na sua grande maioria, que as informações desse texto não são exageradas e nem fantasiosas, reitero as afirmações. É claro, que as mulheres da PMAL não sofrem, a toda hora e a todo momento, assédio sexual, moral, constrangimentos e discriminações. Mas isso faz parte do nosso cotidiano na corporação.
Imagino que as informações aqui publicadas irão causar certo desgaste às nossas "otoridades", porém o desgaste maior é vivenciado por nós e pelas nossas famílias, as famílias das mulheres que labutam dia-a-dia na PMAL, posto que diante das horripilantes justificativas que possam ser utilizadas para justificar essa matéria, ou da repercussão que isso poss ter na imprensa, as policiais se veem agora na árdua tarefa de terem que tranquilizar seus pais, mães, irmãos, maridos, filhos, entre outros parentes ou afins, revelando a estes que a verdade profissional das mesmas não é tão assim como eu relatei, sendo que na verdade é bem pior e deixa traumas profundos.

10 comentários :

Anônimo disse...

que injustiça luluzinho só é chegado numa charque bem gordinha

SD FEM PMAL disse...

Outra coisa,cara ANA, essa reunião que aconteceu no QCG não foi nem publicada em BGO.
O recado foi dado para as praças do QCG por uma TEN na CCSv. Pergunto: Por que a reunião não foram para as OFICIALAS também? Tem umas que se vestem de modo escandaloso no dia da Ed. física. Oficiala pode, praça não?

Quanto ao fato de não termos nossos direitos respeitados, durante o serviço de carnaval, fui "obrigada" ( pq nao tinha outro jeito) a "descansar" no mesmo local com o masculino.É muito chato isso. por mais que vc use uma calça ou mesmp a calça da farda vc fica com receio de estar sendo observada ou de haver falta de respeito. Homens tem suas manias.. fora que eles mesmos são os primeiros a falarem mal se observam um caso desse. Lá era uma escola, 2 salas, a que eles estavam e a outra que estava mijada. NAO existia material de limpeza, nem porta q podesse ser fechada. HORRIVEL.TIVE QUE FICAR JUNTO DELES, SEMPRE COM A CALÇA DA FARDA PRA ME SENTIR MAIS CONFORTÁVEL COM A SITUAÇÃO.

É Triste.. nem todo local que vamos trabalhar tem estrutura e nossos direitos são desrespeitados.

Uma Policial disse...

Bela matéria, amiga.
Você disse tudo!

Carla disse...

Alma de Mulher:

Nada mais contraditório do que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
Age pela emoção e vence pelo amor.

Que vive milhões de emoções num só dia e
Transmite cada uma delas,
Num único olhar.

Que cobra de si a perfeição
E vive
Arrumando desculpas para os erros,
Daqueles a quem ama.

Que hospeda no ventre outras
Almas, dá a luz
E depois fica cega, diante
Da beleza dos filhos que gerou.

Que dá as asas, ensina a
Voar, mas não quer ver partir
Os pássaros, mesmo sabendo
Que eles não lhe pertencem.

Que se enfeita toda e
Perfuma o leito, ainda
Que seu amor nem perceba
Mais tais detalhes.

Que como uma feiticeira transforma
Em luz e sorriso as dores
Que sente na alma,
Só pra ninguém notar.

E ainda tem que ser forte,
Pra dar os ombros
Para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por
Um dia souber, entender a Alma da Mulher!

PARABENS MULHER!

Não apenas pelo nosso mês de marco,
Nem pelo beijo e pelo abraço,
Mas por ser o que és...

Húmus da humanidade,
Raiz da sensibilidade,
Tronco da multiplicidade,

Folhas da serenidade,
Flores da fertilidade,
Frutos da eternidade...

Essência da natureza humana.
Beijos,
De uma outra mulher

Anônimo disse...

No 5bpm tem uma que já deu muito pra um sgt... e deu por que quis.

Sd da RP do 3º BPM disse...

Revelado o mistério: o cidadão citado nas cores vermelhas do texto é o Capitão Anaximandro!

Jenésio, o Pecador disse...

O mais certo seria dizer: Capitão AnaximaLAndro

Anônimo disse...

"Ca" = Capitão

"car" = careca.

Putz, somente agora a minha ficha caiu!

Anônimo disse...

Vcs precisa conhecer o 1º Bpm é um absurdo, até o ministerio público foi lá e nada fez, e o comando tbm é cheio de piadinha pra ima das pfem.

TNH1 disse...

Raio-X da violência contra a mulher põe Alagoas em 2º lugar no ranking de homicídios

Única Vara da Violência contra Mulher funciona no bairro do Farol, em MaceióÚnica Vara da Violência contra Mulher funciona no bairro do Farol, em Maceió

Um relatório do Conselho Nacional de Justiça fez um raio-X da violência contra a mulher em Alagoas nos últimos anos. O estudo aponta o número de processos judiciais e inquéritos policiais instaurados no estado desde a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, em 2003. O levantamento aponta que Alagoas é o segundo no ranking de homicídios contra mulheres e mostra a necessidade urgente da instalação de pelo menos mais uma vara especializada em violência doméstica.

O estudo "A atuação do Poder Judiciário na aplicação da Lei Maria da Penha" traz o número de homicídios contra mulheres em todo o Brasil. O ranking leva em consideração o ano de 2010, os números mais atuais, e Alagoas aparece em segundo lugar com 134 homicídios. O líder em assassinatos de mulheres é o Espírito Santo, com apenas uma morte a mais. O estado onde menos se mata mulheres é o Piauí, com 40 casos.

Outro dado que chama a atenção na pesquisa do CNJ é o que revela que a maior parte das agressões contra as mulheres é feita pelo marido ou ex-marido. Em Alagoas, 38,47% dos casos de violência tiveram os ex-companheiros como autores. É o típico caso previsto na Lei Maria da Penha, quando a vítima é do sexo feminino e há uma relação de afeto ou parentesco entre autor e vítima.

A pesquisa do CNJ não apontou apenas os casos de violência, mas também o que vem sendo feito para reprimi-la. O estudo aponta que de 2008 a 2011 foram instaurados 5.451 processos judiciais por violência doméstica na única vara existente em Alagoas. Os dados mais atuais apontam que em 2011 foram instaurados 1.100 inquéritos em casos de violência doméstica contra a mulher e 483 ações penais foram instauradas no estado.

O estudo aponta ainda a carência de varas especializadas de violência doméstica contra a mulher em Alagoas. Atualmente existe apenas uma, em Maceió. Segundo o CNJ, é uma vara para 1,6 milhão de mulheres. Para se ter uma ideia do défict, o Distrito Federal possui dez juízes atuando em processos da Lei Maria da Penha.

Para o Conselho Nacional de Justiça, é preciso que o Tribunal de Justiça instale uma segunda vara especializada em Alagoas, devido à grande demanda de processos instaurados por agressão contra a mulher.

"Por ser um estado pequeno territorialmente, a proposta de um ordenamento estrutural em Alagoas se torna viável e, provavelmente, mais célere quando comparada às unidades da Federação mais extensas", conclui o estudo do CNJ, apontando a cidade de Arapiraca, a segunda maior do estado, como o local apropriado para a instalação da segunda vara especializada.

No que diz respeito à delegacias, atualmente existem três em funcionamento no estado, sendo duas em Maceió e uma em Arapiraca.

Postar um comentário

Comente, opine, se expresse. Este espaço é seu!
Não se omita, deixe a sua participação.

Se quiser fazer contato por e-mail, escreva para contatobriosaemfoco@gmail.com

Guarnição da bef

Destaque nos últimos 30 dias

 
Meu Profile: Área Restrita - Somente PESSOAL AUTORIZADO pode ver