VAMOS À LUTA!

Antes de tudo, gostaria de prestar minhas honras aos meus superiores, que sempre contribuíram para a formação do profissional que sou hoje. É comum, que diante desta situação muitos se apresentem inertes ou reacionários diante do movimento tímido de valorização profissional que ocorre nos bastidores da Polícia Militar do Estado de Alagoas.
Falo em ser comum que nossos colegas não nos apoiem nesta empreitada, primeiramente pela condição de militar que nós somos e também por outras condições a qual me atrevo em falar. Comum, também, porque neste Estado já é um aspecto marcante da administração do governo, que oficiais do alto escalão sejam nomeados para cargos comissionados em diversas secretarias, órgãos de trânsito, como DETran e SMTT, e ultimamente a órgão pericial no Estado. Então, diante da desesperança e timidez do movimento, muitos oficiais e algumas praças não se sentem motivados em participar de um movimento como este, de oposição ao governo, pois talvez seja mais vantajoso apoiar o governo que ir de encontro a ele.
Chamei de tímido este movimento porque estou patrulhando rotineiramente as ruas da Cidade e não vejo meus colegas, praças ou oficiais, integrados na luta pela valorização do policial militar.
Contudo, quero deixar claro que não entendo nada de política, não faço à mínima ideia de qual seja o partido do governador e ao contrário de muitos colegas na corporação, não conheço nenhum político!
Foi-se o tempo em que ser policial militar era a última escolha profissional para um jovem estudante. Hoje, muitos anseiam pela realização de novos concursos para a Polícia Militar. Para exemplificar, o concurso para o Curso de Formação de Oficiais bateu recorde no vestibular da UFAL com 71,3 candidatos por vaga. Muitos colegas são graduados em diversas áreas do conhecimento, fato que comprova que o público miliciano está se modificando e para melhor.
Portanto, essa modificação fez emergir o conceito de valorização profissional, que abrange desde início a questão salarial. Quase que todos, com exceção os mais novos, vivenciaram a época que se faltava armamento, munição e colete nos batalhões operacionais do Estado, onde a praça que tirava P.O., carregava consigo um revólver e apenas mais quatro ou cinco munições no bolso. Hoje está mais viável o emprego do policial militar na rua, porque as condições melhoraram, tem-se pistolas, coletes, viaturas, mas ainda falta evoluir em muitos aspectos. É óbvio que o Estado tem que se desenvolver, afinal somos um país emergente, mas mesmo assim, Alagoas ainda lidera os piores índices do país. Porém, tem-se ainda privilégios para certas categorias, a exemplo dos tais 108% de aumento dos deputados e logo agora neste momento de crise. Pois é, ainda ouviremos um monte de gargalhada!
E o salário, aspecto primordial, foi esquecido completamente pelo governo. É muito frequente o discurso da questão salarial das polícias militares em todo Brasil. Fala-se da PEC-300, de Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Distrito Federal. Vejo que este é o momento propício para darmos início a um verdadeiro movimento.
Ouço alguns colegas comentarem que antigamente os policiais federais e rodoviários recebiam os piores salários do país, o que contrasta com a realidade dos mesmos nos dias de hoje, que percebem um dos melhores salários no âmbito da União. Creio que este grupo não permaneceu como a maioria de nós, omissos, alimentado a esperança de dias melhores em um pequeno grupo. Não me recordo, mas o efetivo da polícia militar segundo dados oficiais do ano de 2010, gira em torno de 7.700 homens e mulheres. Além do que, podemos contar com os heróis que estão em suas casas, depois de anos e anos de serviços prestados à sociedade alagoana, que porventura, sinto muito em dizer, é alienada. Alienada devido ao coronelismo que impera em todos os serviços públicos e privados nesse Estado. Podemos dar como exemplo: a imprensa, que é sabido por todos, por motivos ocultos não dá a devida cobertura ao movimento.
Entretanto, não precisamos contar com o apoio da imprensa, da sociedade ou dos nossos comandantes. Somos a tropa. Isso mesmo, tropa. Tropa essa que carrega a polícia militar nas costas, porque somos nós que estamos nas ruas, não foram os coronéis que desencadearam esse movimento, caso fossem, estaríamos diante de uma situação de total subserviência. Sirvo a PM, não a um Coronel. E devemos reconhecer nossa extrema importância. Somos o braço armado do Estado. O órgão controlador das tensões e conflitos públicos.
Nada mais do que justo, nós, policiais militares termos boa remuneração, haja vista de que nosso maior instrumento de trabalho é a vida. Estamos nos lugares onde ninguém desejaria estar, nas piores horas e piores circunstâncias. Sabemos da nossa importância. Trabalhamos em contato direto com os piores seres vivos na Capital e Estado mais violento do país. Onde nossa própria família é vítima. Não posso falar de mim, pois minha família e meu cargo ainda pode me oferecer uma condição de vida melhor. Mas falo dos meus amigos que moram na periferia e, por vezes, são vítimas das circunstâncias, tendo necessariamente que conviver lado a lado com a criminalidade.
Não quero desmerecer a importância dos outros serviços públicos, tais como a saúde e a educação. Mas se a saúde parar, o povo vai continuar morrendo mais e mais, se a educação parar, o povo não se desenvolve. Mas a segurança pública? Da mesma forma, se parar, o povo morre, se parar, o povo não se desenvolve, se parar, veremos o inferno vir a terra. Hoje em dia para haver saúde tem que haver segurança, grande exemplo é o SAMU que só realiza atendimento em determinadas localidades com a presença da polícia. O HGE, postos de saúde ou mini pronto socorros que só realizam atendimento se houver polícia. A educação que clama por polícia nas escolas. Exemplo maior que possa dar, foi o massacre de Realengo, que a meu ver não tem nada a ver com segurança pública, pois foi um ato isolado de uma pessoa com transtornos mentais seríssimos, mas esse momento serviu para a sociedade refletir a segurança nas escolas.
E que tipo de segurança é essa? Que polícia é essa? Pasmem os senhores, somos nós, a polícia militar, polícia ostensiva, preventiva e repressiva. A polícia que o cidadão conhece, bem ou mal, mas conhece.
Então, quero clamar a todos os policiais militares deste Estado, quero clamar aos meus subordinados, pares e superiores. Aos superiores, solicito-os que abram os olhos, pois vai chegar o dia em que os senhores serão homens comuns, com uma família, filhos, netos e um seguro de saúde caro pra pagar, pois a velhice chega. Quero lembrá-los que o cenário político se renova de tempos em tempos, hoje quem é amigo, em um futuro não muito distante, pode ser inimigo.
Imploro que todos participem. Temos que motivar nossos colegas e famílias em torno desta causa. A causa policial militar. Por um salário condizente aos nossos serviços. Precisamos antes de tudo, arquitetar o movimento, planejar ações que tenham real efetividade. Às associações, desculpem as críticas, só se organizam para as eleições, sejam elas para mandato eletivo classista ou eleições estaduais para deputados e vereadores. Nunca vi tanta organização numa eleição de associação como as que vi nos últimos anos, propaganda política, panfletagem, fiscais de chapa, etc.
Sendo assim, a culpa é nossa. Fomos nós que os colocamos naqueles cargos. Não cobramos a devida representatividade às associações. Ficamos inertes, que nem boi no pasto, parados, assistindo os telejornais, telefonando para os colegas que participam efetivamente do movimento e acessando os sites tudonahora ou alagoas24horas, alimentando as esperanças de dias melhores em um grupinho de cinquenta policiais militares, os quais estiveram presentes na última assembleia (25/05), que por sinal não deliberou nada.
A única forma de fazer valer nosso movimento é tomando uma atitude. Atitude esta que tem de surtir efeito e que precisamos criar coragem para levarmos adiante. Não é possível o Estado mandar punir quase que 8 mil militares. Vamos aos quartéis, aos gabinetes de nossos comandantes, buscar apoio com os oficiais intermediários e subalternos que estão à frente da tropa, orientá-la. Já me cansei de tanto falatório. Tenho certeza de que todos que estão esperam um posicionamento radical por parte das lideranças, pois essa é a única forma de tornar real o movimento. Tenho acompanhado os telejornais nos últimos dias e o único momento que mereceu destaque por eles foi a ação violenta e ilegal executada na assembleia legislativa. Mas não precisamos agir daquela forma, afinal somos agentes de segurança e zeladores da Lei. Temos que nos unir de forma estratégica, como foram os nossos colegas bombeiros e policiais civis que ainda estão em greve. União é a palavra chave.
Concluindo, quero afirmar que o tempo está se esgotando e poderemos perder a oportunidade. Precisamos mostrar nosso valor e aproveitar essa onda que está se dissipando em todo país – a onda de valorização do policial militar – que já atingiu muitos Estados da Federação.
Portanto, estejamos todos, na próxima quarta-feira (01/06), às 15h, com concentração na Praça Deodoro, para mais uma nova assembleia. Unidos venceremos.
Autor desconhecido (recebido por e-mail)

8 comentários :

Indouto disse...

Pra q? Para marcar outra reunião pra semana que vem?

Uma Policial disse...

Outro dia eu propus que fosse fechado o aeroporto e os batalhões de área como forma de pressionar o governo a negociar conosco... Pois bem, andei pensando sobre isso, e, que tal se incluíssemos também o PORTO? Pense no "baque" que seria para a economia se houvesse um "fechamento" do aeroporto, do porto e dos batalhões e área. Isso aqui ficaria pior do que já está, além do que seria sentido com mais "facilidade", haja vista que causaria impacto nas arrecadações tributárias do Estado.

Jenésio, o Pecador disse...

Eu e o povo de Deus estamos nessa, pois o nosso general é Cristo, e não o Jojó; podem contar comigo!

Anônimo disse...

Agora poderemos ter um rasgo de esperança no combate à criminalidade. A violência já começa a incomodar àqueles que a deveria combater com maior rigor. Lojas de luxo em bairros chiques já começam a sofrer arrastões. Sabem quem as frequentam? Esposas e familiares de deputados, juízes, promotores, procuradores, comerciantes, industriais etc… Assim, acredito que se fizermos um pouquinho de pressão as coisas acontecem!

Uma Policial disse...

O governo finge que está preocupado com a violência,
O judiciário finge que cobra,
O MP, mesmo sendo provocado por todos, não faz nada,
A polícia, coitada, finge que trabalha,
E o povo finge que vota certo,
No dia 1º a gente vai fingir que está incomodado com tudo isso,
E assim Alagoas vai morrendo aos poucos.

Miguel de Oliveira disse...

Qual a moral que os nossos colegas omissos tem?

Anônimo disse...

OS Comandantes das Unidades estao mantendo os policias de prontidao nos quarteis mesmo após seu termino de serviço, falei com varios colegas do BPE, CAVALARIA etc..
Isso nao existe! É folga.`Por isso muita gente nao pode comparecer

Anônimo disse...

[Outro dia eu propus que fosse fechado o aeroporto e os batalhões de área como forma de pressionar o governo a negociar conosco... Pois bem, andei pensando sobre isso, e, que tal se incluíssemos também o PORTO? Pense no "baque" que seria para a economia se houvesse um "fechamento" do aeroporto, do porto e dos batalhões e área. Isso aqui ficaria pior do que já está, além do que seria sentido com mais "facilidade", haja vista que causaria impacto nas arrecadações tributárias do Estado.]

É MINHA AMIGA, EU SERIA UMA DAS PESSOAS QUE IRIA, COM CERTEZA. MAS REPARE O COMENTÁRIO ANTERIOR AO SEU. NÃO ESTOU JULGANDO. MAS VEJA, INFELIZMENTE ATÉ AQUI A GALERA PARECE ESTÁ MEIO DIVIDIDA COM UMA "SIMPLES" MANIFESTAÇÃO, IMAGINE COM UMA IDEIA UM POUCO MAIS INCISIVA.
ACHO QUE DEVEMOS PENSAR BEM NAQUILO QUE REALMENTE VALE A PENA EM NOSSAS VIDAS.
MERECEMOS DIGNIDADE PROFISSIONAL!

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