A história está prestes a se repetir

Quando iniciei minha vida profissional na Polícia de Alagoas, ha precisamente 20 anos, entre um buraco e outro que cavávamos para a construção do que hoje vem a ser o "papódromo", no Dique Estrada – Eu, o (hoje Capitão) Dalmo MenezesCabo Pereira (a quem chamávamos carinhosamente de "bagaço"), Cabo Moraes, entre tantos outros – velhas estórias ainda ecoavam como folclore dentro da corporação e causavam arrepios em nós, que a época éramos jovens recrutas, filhos de operários da classe mais baixa e trabalhadores do comércio da nossa capital.
Era, em verdade, uma PMAL diferente do que é hoje.  Para que o leitor tenha uma ideia e situe-se no tempo, o hoje arrependido ex-Tenente Coronel Manoel Cavalcante havia recentemente sido promovido a major – e, crimes à parte, sempre mostrou respeito para com a Tropa, dos mais subalternos aos seus superiores – e, na mesma linha temporal, o atual comandante Luciano, o "Malvadeza", ainda não era mais do que um então menino franzino recém saído dos cueiros, que mal havia saído do Exército e engatinhava iniciando a sua vida na Polícia Militar de Alagoas.
Nas raras horas de folga que tínhamos, muito se falava na figura do Cabo Henrique Omena – temido policial militar que na década de 70 à 80, após a morte do pai,  juntamente com os irmãos desencadeou uma guerra com entre as duas famílias (Calheiros e Omena), que culminou com uma série de assassinatos entre as duas famílias, bem como com a morte do Advogado Tobias Granja – e estas conversas aterrorizavam a nós, recrutas. Mas nada que se comparasse com o que ocorreu entre o Soldado Everaldo Borges e o Coronel Adauto Gomes Barbosa, em 1971.
Everaldo Borges era soldado da Polícia Militar de Alagoas e ex-jogador de futebol, tendo sido atleta no Centro Sportivo Alagoano (CSA) na década de 60. O Coronel Adauto Gomes Barbosa já havia sido Comandante Geral da PMAL anos antes e havia sido convidado pelo Governador Lamenha Filho para ocupar o cargo que hoje equivale à Cadeira do Secretário de (in)Segurança, Sua Leviandade Santidade Dário, o César.
Sabe-se, pelo que a história conta, que o Soldado Borges estava em casa, no bairro do Trapiche da Barra, num de seus raros momentos de folga, quando ao cortar um feixe de cana, a faca que usava escorregou de suas mãos e caiu sobre seu pé direito, causando-lhe um ferimento corto-contuso. Pela peculiaridade na conservação e descuido do próprio Borges o ferimento infeccionou, o que impossibilitou que o soldado pudesse fazer uso do coturno.
No dia seguinte, no prédio em que funciona hoje o Quartel do Comando Geral, encontrava-se o Soldado Borges devidamente fardado mas calçado com o coturno no pé esquerdo e no direito, pela inflamação no corte, usando uma sandália do tipo "havaianas".
Pra quê?
Adentra ao quartel o Coronel Adauto e ao observar a situação na alteração de uniforme do praça, mesmo com a explicação sobe o ocorrido (e não me venham perguntar se em 1971 havia o CHPM, pois, ainda que houvesse, se o que temos em 2011 não presta, os senhores avaliem os moldes da época) não se deu ao trabalho nem de soltar a popular frase – que todo oficial usa para compelir os subalternos: "explica mais não justifica"; pelo contrário, deu um seguro e firme pisão no pé machucado do Borges.
Pra quê?
O Borges foi calmamente até a reserva de armamento, armou-se com um fuzil e voltou abrindo fogo contra o Coronel Adauto, que morreu na mesma hora.
Sobre o Coronel Adauto, sabe-se que é homenageado com nome de rua na nossa capital e em tantas outras cidades – o Borges é claro, já morreu faz um certo tempo e não virou nome de rua e nem de nenhuma dependência militar – tornou-se até assunto proibido na caserna.
E tudo isso companheiros, por conta de um "pisãozinho no pé" do praça.
Na década atual, as mudanças foram aquelas que o próprio tempo encarrega-se de cuidar: O papódromo, foi terminado no mesmo ano e é hoje um monumento ao desperdício de dinheiro público, além de ser o retrato do abandono; o Major Cavalcante, transformou-se no "chefe" (se é que se pode-se chamar assim) da "gang fardada", foi preso, condenado e julgado indigno do oficialato – que ouso afirmar até que tenha sido ele o único a sofrer tal sanção (mesmo possuindo na nossa corporação ratos sujos e bandidos da mais baixa categoria, desde o Capitão Israel, o "Dael", assassino e ladrão de cargas do alto sertão alagoano, ao Major Monteiro, Ladrão comum, traficante internacional de pedras preciosas, passando por outros piores e menores: assunto para uma próxima postagem) – e cumprido mais de 14 anos de reclusão em presídios diversos pelo brasil afora, e aquele jovem aspirante Luciano Antônio Silva hoje é o Comandante Geral da nossa Corporação, acrescendo ao seu belo nome a alcunha carinhosa de "Malvadeza". Coisas que só o tempo em sua inexorável marcha é capaz de ensejar.
Pegando o gancho dessa historia da nossa caserna, 40 anos depois, e resguardadas as devidas proporções, estamos nos encaminhando para um desfecho similar onde os "pisões no pé"  frequentes distribuídos pelos "Coronéis Adauto" de hoje são dados aos barnabés, tanto no oficialato ou no circulo de praças, mascaradas em formas de assédio moral, arbitrariedades nos julgamentos disciplinares, PDOs e sindicâncias apuradas sem a devida lisura por servidores que não estão – a não ser hierarquicamente – moralmente e intelectualmente capacitados  a fazê-lo, com o fito de punir ao bel prazer, fomentam a cada dia na nossa Tropa os futuros "Borges" que tememos que apareçam.
E, finalmente: "Pra quê"?

9 comentários :

Anônimo disse...

Só Freude explica, Só Freude explica!!!

Anônimo disse...

NEM FREUDE EXPLICA, NEM FREUDE EXPLICA!!!

Anônimo disse...

Esse militarismo é seboso e injusto.

Uma Policial disse...

Imaginem ser irracional no trato com os subordinados e transformando-os em psicopatas policiais. Percebam que estes são desfechos das ações do comando, que através de modos inoperantes de policiamento, que são repetitivos em matéria de ineficiência, oriundo de pessoas demagogas, falsas e presunçosas. Isso tudo, meus caros, se aplica perfeitamente ao atual comando. Estas pessoas, e aqui eu não vou especificar o gênero, pois tem-se das duas classes, vestem uma roupagem de mártires que estão salvando a corporação, quando na verdade estão fazendo o contrário. Estas pessoas enganam apenas os desavisados, os incautos, e todos mais que com estes se assemelham. Suas ações demonstram que em suas gestões, isto, em seu comando, além da evidencia da incompetência e inoperância, se roubam os poucos recursos que a corporação disponibiliza, e isso fica revelado em situações como foi apresentada aqui recentemente, quando foi falado da multa que que foi paga por conta de um “gato” na rede de energia de uma unidade. E não se esqueçam, que as contas da ASSOMAL foram pagas por um bom tempo pelo comando. O pior, é que estas mesmas pessoas que um dia já foram vítimas do sistema – que elas mesmas já enfrentaram –, hoje se fingem de vítimas da oposição (que oposição?) e perseguem de forma pior do que lhes aconteceu. Na verdade, estas pessoas são um câncer no seio da corporação, e por isso precisam ser extirpadas (há muito tempo).

Anônimo disse...

fica na tua, garota. depois acontece alguma coisa que esses porras e vai sobrar pra voce !!!

Uma Policial disse...

Obrigada pelo conselho, mas lembre-se de uma coisa: "também morre quem atira".

Anônimo disse...

Uma policia, eu nao sei se eu ja te falei, mas eu te acho uma gatinha.
E outra coisa, inteligente a moça.

Anônimo disse...

Se a mensalidade escolar é "legal", conforme o Cel Dimas disse na imprensa, quando chegou até a afirmar que "existe um decreto governamental que legaliza a cobrança", então o que justifica a seguinte publicação contida no BGO nº 215?

Vejam a publicação:

NP Nº 144/2011 – SEC/5º BPM - SOBRESTAMENTO DE PDO: O TC QOC PM Cmt do 5º BPM no uso de suas atribuições legais, em atenção ao Ofício s/nº/2011-PDO da lavra do Cap QOC PM HEATHCLIFF DAMASCENO GAMA, que fora designado para proceder PDO de Portaria nº 090/11-PDOSec/5º BPM, de 27 de outubro de 2011, sobresta o referido Processo Disciplinar Ordinário devido ao fato de encontrar-se aguardando resposta à solicitação nº 02/11-5º BPM, encaminhada ao Comando do CFAP, referente à legalidade da Taxa Escolar.

Anônimo disse...

esperar o que de dois zeros a esquerda um so soube receber ordens do senhor collor de mello e o outro numca se quer comandou nem a propia casa

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