Percepções acerca do que ocorre na PMAL

Longe de querer tecer críticas a quem quer que seja (sinceramente minha intenção não é esta), apenas desejo expressar minhas percepções acerca do que ocorre na PMAL, vistas através de um prisma neutro, sem emoções nem paixões, seja pela corporação, seja pelas amizades nela formadas.
Fala-se muito que a Polícia Militar não muda. Isso é quase unânime entre os círculos das praças e dos oficiais da corporação. Entretanto, ninguém para e analisa o que éramos, como éramos e o que esperávamos. Talvez esse desengano se dê por conta do fato de que nós permanecemos os mesmos, com as mesmas aspirações de 20, 30 anos atrás e não nos atualizamos, muito menos corremos em busca das melhorias que sempre desejamos.
Toda e qualquer mudança, seja onde for, inclusive na PMAL, só se opera com a vontade de quem quer que mude, ou seja, nós mesmos, conhecendo nossos direitos, fazendo com que eles sejam efetivados e agindo dentro da legalidade.
Pensando nisso, diante das lutas travadas nesses últimos anos, o que foi que nós pedimos e o que nós conseguimos? Em vez de lutarmos por um salário digno com o qual pudéssemos adquirir e manter nosso próprio veículo, lutamos por uma mera gratuidade nos coletivos que, a meu ver, não passa de esmola, além de se configurar em uma covardia com os empresários do setor, que além de pagarem seus impostos ainda têm que transportar gratuitamente parte dos funcionários do governo.
Estamos nos humilhando perante nossos comandantes a fim de conseguirmos um espaço de tempo para irmos à faculdade em vez de lutarmos por uma mudança no nosso estatuto que facilitasse a frequência nas aulas.
Ao invés de brigarmos por uma carga horária justa, preferimos ganhar folgas como prêmio por armas e drogas apreendidas, como se isso não fizesse parte da missão precípua do policial militar. Além de tudo isso, ainda tem quem diga que o "Bico Legal" configura-se em uma panaceia para os problemas enfrentados tanto pelos PMs quanto pela própria Corporação.
Ainda em relação ao salário, falamos muito em nos igualar com a PM do Distrito Federal. A meu ver isso é algo inatingível a curto e médio prazo. E não digo isso me referindo à arrecadação financeira do Estado. Digo, baseado no pensamento dos policiais daquela corporação que, inteligentemente, conseguiram que modificassem as exigências para que uma pessoa possa fazer parte daquele grupo: para ingressar na Polícia Militar do Distrito Federal o cidadão tem que ter nível superior. Isso, sim, é, verdadeiramente, uma mudança.
Nós, pobres diabos alagoanos, consumimos nossas horas de folga em bebedeiras e atividades sem utilidade para nossas vidas. Muito raramente vê-se um PM alagoano reservando uma hora sequer para, por exemplo, frequentar um curso de computação, já que estamos no Século XXI, a era da informática. Diante disso, nós, reles alfabetizados, como é que queremos um salário à altura? Não seria contra senso? Pensar que a PEC-300 será aprovada e, do dia para a noite, iremos ter um salário excelente é criar expectativa falsa.
Dentro do nosso pensamento insignificante, nós relegamos essas importantes discussões para um segundo plano e, insistentemente, continuamos a bater na mesma tecla de assuntos sem grande relevância para a corporação, no que diz respeito à grandiosidade da missão da Polícia Militar. Um exemplo disso são as famigeradas escalas de faxina. Teima-se em utilizar PMs formados para combater o crime, como simples faxineiros. Esse tipo de atitude nós não vemos, por exemplos, nos bancos nem nos fóruns. Eu, pelo menos, nunca vi nem ouvi falar em um funcionário do Banco do Brasil limpando o chão de uma agência, muito menos o banheiro do gerente. Da mesma forma, um serventuário da Justiça atarefado com a limpeza do gabinete ou do banheiro do Juiz. Ao contrário, na Polícia Militar, o Sargento e o Oficial entram com os calçados sujos, emporcalhando todo o ambiente, fazem suas necessidades fisiológicas nos banheiros de seus alojamentos e o soldado e que tem que fazer a higienização. Isso, além de injusto é contraproducente, pois o policial é formado especialista em combate ao crime e não em extermínio de ácaros e bactérias.
Em minha concepção, fazer a faxina de locais de uso comum não é desonra. Entretanto, menos desonra é para quem é pago para tal fim. Para aqueles cujas funções diferem dessa atividade é constrangedor e desestimulador.
Recentemente, na cidade de São José da Laje houve um assalto à casa lotérica. Enquanto os componentes da 2ª Companha, lá instalada, reagiam ao assalto, em meio a intenso tiroteio, cinco dos sete policiais da administração na sede do 2º Batalhão, que fica localizado em União dos Palmares, a aproximadamente 20 km, distância que pode ser percorrida em apenas 10 min, trajavam a indumentária de educação física fazendo faxina. Esses policiais poderiam, perfeitamente, terem sido empregados no reforço do policiamento envolvido na ocorrência, entretanto, continuaram a limpeza emperrando, também, os atos administrativos que dependem dos mesmos para fluírem.
Não tenho vergonha de ser um integrante da PMAL, mas me causa indignação e me dá nojo certas ações permitidas dentro da instituição.
No 2º Batalhão, em abril, foi descoberto um "gato" nas instalações elétricas do prédio. Funcionários de uma empresa que presta serviços à Eletrobrás notificaram o Batalhão e deram um prazo para que o problema fosse sanado. O prazo acabou-se, sem que fosse tomada uma providência concreta para o fim do crime (roubar energia elétrica é crime) e quem pagou o pato foi a Polícia Militar, multada em R$ 28.0000,00 (vinte e oito mil reais).
Não raro, o comando do batalhão pede socorro a empresários e políticos da região para adquirir, pasmem, um jogo de velas ou uma bomba d’água para as viaturas.
A unidade recebe dinheiro do Banco do Brasil para manter o policiamento na porta daquela instituição. Por mais que me digam que a isso se chame convênio, não tenho a menor dúvida que a denominação mais adequada é "furada", como se intitula esse procedimento nos jargões da PM alagoana.
Esses são os exemplos a serem apresentados aos policiais?
Também em data recente foi detectada a troca de munições em uma das subunidades. Alguém ficou com as munições novas, pertencentes à carga da Polícia Militar e, em lugar destas, colocou munições velhas. E por quê? Fácil é responder: porque quando um superior age de forma ilícita, ainda por cima com a anuência da corporação, ele está cooptando seus subordinados a fazerem parte desse meio sujo e desonesto.
Isso tudo acontecendo e as providências tomadas foram a elaboração de escalas de faxina.
No dia 03/11 (quinta-feira) a filha de um companheiro nosso foi assaltada e agredida na porta de casa por elementos que vêm aterrorizando a cidade. No dia seguinte (04/11), policiais de serviço detiveram vários suspeitos de terem cometido esse e outros assaltos, mas tiveram que soltá-los diante dos conselheiros tutelares. Hoje (05/11), por volta de 1 hora da manhã, a casa do nosso companheiro, um homem de bem, cumpridor dos seus deveres, foi alvejada por quatro tiros disparados por bandidos de moto.
Pois é, companheiros, União dos Palmares está entregue às baratas. E as providências: ESCALA DE FAXINA.

11 comentários :

Jenésio, o Pecador disse...

Depois de trocentos serviços, finalmente uma folga...

Parabéns ao autor da postagem.

Anônimo disse...

Eu já me acostumei a ver tanta coisa errada dentro da polícia militar, ainda mais com as situações recentes que estão acontecendo que já nem sei separar o certo do errado!!! O que? kkkkkk!!! Ômiseumininu é assim: ou se bajula um político para continuar no cargo fazendo as coisas erradas, ou vai para a rua buscar o arrego de quem tem dindin, caso contrário só sifú!

Anônimo disse...

Esse companheiro merece sem dúvida um busto erguido no portão principal do QCG. Falou realmente e somente a verdade, devemos nós policiais militares.

Anônimo disse...

Obrigado, Jenésio. Gostaria muito de me identificar, mas, como você sabe, isso significaria a assinatura da minha prisão. Infelizmente, ainda vivemos um regime ditatorial na PMAL. Mas tenho esperança que isso um dia mude.

DisCRENTE disse...

RAPAZ, VCS VIRAM QUE O COLEGA TÁ USANDO UM MOSQUEFAL? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. E O COMANDO AINDA QUER QUE A GENTE LEVE A POLÍCIA A SÉRIO. ISSO SIM,É UMA PIADA.

Anônimo disse...

Concordo plenamente com vc! a culpa é toda nossa(tropa), pois por exemplo lembro-me muito bem numa das manifestações deste ano, vi companheiros levantarem os braços sinalizando positivamente a adesação ao desaquartalamento, e no outro dia, estes mesmos companheiros com a cara mais "lisa" forma para o 4° BPM trabalhar, e diga-se de passagem, todos antigos na pmal. Na hora do oba-oba, todo mundo fala alto, levanta o braço, mas ninguem quer botar o "seu na reta"! É uma pena! Ficando o registro neste episodio da ação dos BMs, parabéns a esta tropa!

Anônimo disse...

Não é só em união, em toda a região esta assim particularmente em IBATEGUARA uma cidade com aproximadamente 14000, mil habitantes todos os dias acontecem roubos d moto e a pessoas nas ruas, só essa semana foram roubadas 5 motos onde ainda mataram um dos donos da moto por q o mesmo não parou. o incrível e que me deixa enojado e a falta de compromisso d alguns militares q aqui trabalham bêbados, corruptos, desqualificados e nojentos e isso é o que circulam nas bocas das pessoas da cidade. E me perguntem e o que faz o 2º BPM em relação a isso ? NADA, ninguém aqui nessa região quer compromisso com alguma coisa, a não ser, seus interesses ´`furadas``, fico enojado em fazer part desse 2º BPM .

cara de xibata. disse...

esse praça com esse trabuco véio só não ficou melhor por que foi ofuscado pela barriga do oficial lá atrás!deve ter participado da guerra de canudos com esse mauser aí...é um retrato de toda pompa de nossa pm,uma desgraça e ainda se acha!aí meu deus...

Anônimo disse...

Ô RAPAZ,DÁ PENA DESSE CIDADÃO QUE VIU MUITO FAROESTE...É,MAS TEM MUITO ANTIGÃO BOM E DECENTE,MELHOR QUE MUITOS ESTRELADOS QUE SÃO LIXO MESMO TENDO CONSCIÊNCIA DISSO,OQUE É MAIS GRAVE.

Anônimo disse...

PMAL o único canto do planeta onde a FALTA a um serviço EXTRA não REMUNERADO E INCONSTITUCIONAL, é PUNIDO com mais RIGOR do que roubar, matar ou torturar.

Anônimo disse...

Parabéns ao autor da matéria. Verdade pura.

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