Resultado das Eleições 2012‏

Após o resultado das votações, ocorridas no último domingo, temos um quadro bem desenhado do quanto nós – Policiais Militares de Alagoas, diga-se – somos desunidos e despolitizados para eleger um representante. A tropa alagoana não conseguiu fazer um único candidato na capital, Maceió, apesar de existirem vários nomes representando a família miliciana.
Poderíamos aqui elencar os mais variados motivos para a não consagração de um nome da instituição para a Câmara de Vereadores. Mas vamos nos ater ao mais importante: a descredibilidade dos nossos representantes. A verdade é que nenhum desses candidatos foi eleito por não conseguir aglutinar e ganhar a confiança dos eleitores policiais militares e seus familiares.
A oportunidade de consagrar-se o legítimo representante foi dada no inicio do ano de 2012, onde nossas lideranças classistas trocaram a luta por melhorias para toda a PMAL e CBMAL, por vantagens particulares, dinheiro para futuras campanhas. Durante as manifestações por melhorias salariais, nossos “líderes” se esconderam e deixaram o governo tripudiar em cima dos policiais e bombeiros militares. E ao fim da negociação, afrouxaram nas solicitações de melhorias salariais e condições de trabalho. Até a troca do secretário da SEDS, que era uma reinvindicação inegociável, foi esquecida.
Após essas negociações frustradas, continuamos ganhando mal, trabalhando com parcos recursos, com pouco efetivo e com mais perseguição ainda. Tivemos de engolir uma força exógena atuando no Estado, sendo altamente valorizada pelo Governo Estadual, mesmo que não venha fazendo nada do que já não fosse feito pela PMAL. Mas para a mídia e o governo, a Força Nacional era a salvação, criada pelo espetáculo midiático.
Todos esses fatores citados levaram a não eleição de um único representante da caserna para a Câmara Municipal de Maceió. Afinal, o eleitor não poderia dar esse voto de confiança a lideranças falsas e descompromissadas com a família militar.
Se ao menos nossas lideranças classistas tivessem seguido o exemplo do soldado Marcos Prisco da PMBA, que simplesmente dobrou o governo PeTralha da Bahia, com a histórica greve da PM baiana, ocorrida às vésperas do carnaval, o que fez com que a imprensa nacional e internacional tomasse conhecimento das agruras pelas quais a tropa baiana passava. A tropa da PMBA reconheceu o valoroso esforço de Marcos Prisco, que até a liberdade teve cerceada, e acabou coroando todo esse belíssimo projeto de valorização dos integrantes da PMBA. Hoje, o soldado Marcos Prisco está eleito para a Câmara de vereadores da 3ª maior cidade do Brasil, e com projeto para daqui há dois anos ser eleito deputado estadual em dobradinha com um outro candidato da PMBA para a câmara federal. Isso mesmo, a PMBA traçou um audacioso plano de eleger legítimos representantes para 2014, sendo um deputado estadual e um deputado federal.
E a PMAL? Ah!, A PMAL... Quais serão os seus planos para 2014? Teremos um legítimo representante para lutar por nossos direitos? Ou esperaremos que esses aventureiros (cujas imagens já estão desbotadas pelo tempo e seus fiascos) se lancem candidatos para termos mais uma derrota nas urnas? Só podermos vencer o sistema se tivermos um PM ou BM dentro da Assembleia Legislativa para bater de frente com o governo. Vejamos como exemplo para essa arguição o conteúdo da foto ao lado (clique para ampliar), o que demonstra o quanto um Deputado Estadual pode fazer em prol da tropa. No caso em comento, o Deputado por Minas Gerais, o Sargento Rodrigues, vem fazendo a diferença para os militares mineiros. Naquele Estado, assim como em outros (clique aqui), os militares contam com um ativo representante para as suas reivindicações.
A contagem regressiva começou para 2014 e precisamos nos organizar para termos um ÚNICO candidato. Do contrário, nas próximas eleições voltaremos a ler algo nesse sentido:
PM: 14 militares perdem eleição para vereador em Maceió
A Câmara de Vereadores de São Paulo ganhou, na eleição deste ano, uma bancada fardada.
Nada menos do que três integrantes da PM paulista conseguiram se eleger para o chamado legislativo mirim.
E em Maceió? Algumas campanhas, entre os militares, se destacaram na busca por uma vaga na Casa de Mário Guimarães: a do petista (cabo) Simas e do Major Fragoso, ambos bastante conhecidos no movimento reinvindicatório da corporação.
O insucesso foi geral e muito mais amplo do que se pode imaginar.
Ele atingiu nada menos que catorze candidatos a vereador com origem na PM – entre praças e oficiais. Nenhum conseguiu se eleger.
Fonte: Blog do Ricardo Mota (clique aqui)


9 comentários :

Oráculo disse...

Não tenho o que acrescentar sobre o foi dito no texto, pois o autor já disse tudo. Contudo, se é cabido fazer uma resenha em cima das Eleições, cabe apenas dizer que "O Brasil é o único país que tem um documento que só serve para votar, mas somente com ele você não vota e sem ele, você vota!"

Robson A.S. – Sociólogo – Militar disse...

A POLITIZAÇÃO DOS MILITARES: AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS NAS ELEIÇÕES DE 2012.

Como observador atento da questão da politização dos militares podemos dizer que sua atuação foi dentro do esperado, podendo ser considerada como excelente. A politização de uma categoria não é algo que ocorre de maneira rápida, ainda mais em se tratando de militares.
Não podemos esquecer as lutas travadas ainda na década passada pelos organizadores da APEB e de outras instituições criadas por militares com o fim de defender seus interesses. As associações e os dirigentes, geralmente praças, foram atacados por todos os lados pelas instituições e até por alguns dos colegas. Uma das acusações mais freqüentes era que eles queriam se eleger, como se isso fosse algo ruim para a categoria.

Outra acusação, a que mais pesou na justiça, foi a que dizia que se tornariam sindicatos militares e haveria greves e mobilizações ilegais. Sabemos que essa nunca foi a intenção. Graças às associações e seus sites que muitos de nós fomos esclarecidos sobre nossos direitos e como responder legalmente em caso de abuso de autoridade, assédio moral etc.

Ainda na década passada alguns militares que se candidataram foram compulsoriamente transferidos para locais longínquos, muitos já conseguiram reverter a situação.

A politização da categoria está ocorrendo, e numa velocidade bem maior do que na verdade poderíamos supor, somente nessas eleições tivemos conhecimento de mais de doze militares eleitos para vereadores e um para prefeito, fora o que não soubemos ainda.

Parabéns aos policiais militares que em várias cidades conseguiram eleger representantes. Foi um mais um passo para a valorização da categoria em nível nacional. Em Fortaleza elegeram um vereador que provavelmente será o presidente da Câmara por conta de sua expressiva votação e, segundo informações, em Palmas um representante policial é o vice-prefeito eleito.

Para os militares das Forças Armadas, há necessidade agora de, após o descanso dessa batalha, rever as estratégias e traçar os planos para as próximas eleições. No Rio de janeiro pelos votos obtidos pelos candidatos a vereador temos condição de eleger pelo menos um Deputado Federal. É necessário que sejamos humildes e pacientes, não adianta todo mundo querer se candidatar. Deve-se procurar chegar a um consenso sobre quem é o candidato mais apto a reunir a categoria.

Em Goiás parece que temos um candidato natural para Dep. Federal, que foi eleito com um número expressivo de votos, no Rio também temos um militar que recebeu mais de 3.000 votos, além dos outros que acumularam centenas de votos. Até Um prefeito foi eleito entre os candidatos militares, no Piauí. Em outras cidades temos pessoas de expressão e cremos que poderá haver uma mobilização nacional em torno da proposta de eleger representantes nas próximas eleições. O que falta, e é urgente, é uma associação em nível nacional, mesmo que virtual, mas que atue racionalmente para congregar a categoria.

Devemos responder e desestimular qualquer comentário depreciativo em relação aos resultados alcançados e sobre a pretensão de construir uma representação política. A máquina eleitoreira é muito grande, temos que lembrar que não temos empresários, sindicatos e grandes associações que financiem nossas campanhas. São militares assalariados que aplicaram os próprios recursos tentando galgar um cargo político. Quantos de nós fizemos uma doação de campanha para algum deles? Olhando por esse prisma somente temos que parabenizar esses guerreiros que conseguiram expressiva votação, mesmo os não eleitos, pois fizeram com que renovássemos a fé de que em breve alcançaremos êxito nessa batalha.

Robson A.S. – Sociólogo – Militar.

http://sociedademilitar.com

Um Capitão da PM do Pará disse...

É, amigos de Alagoas, é isto mesmo que venho falando e pregando nos locais por onde passo: necessitamos urgentemente criar uma confederação a nível nacional que una esta ideia de eleger o máximo possível de Deputados Federais e Estaduais no próximo pleito. Tenham a certeza que os partidos políticos já em voga virão atrás de nosso apoio politico pelos votos que nossos companheiros tiveram e pelo que podemos fazer e é neste momento que poderemos fazer nossas exigências como melhorias salariais etc. A luta pela PEC 300 não acabou e ela nunca irá acabar. Estamos só numa quarta faze desta luta, a pior já ocorreu. No episódio do começo do ano, em alguns Estados, o que podemos dizer que foi a faze das greves, saímos todos feridos, onde uns se feriram mais e outros menos. Como todos os que não saem ilesos das batalhas por reivindicações, tenham certeza que sofri algumas perseguições, que se não fosse uma certa base política que eu tive seria bem pior. Infelizmente, em decorrência das expulsões dos companheiros que lutaram bravamente por reivindicações em seus Estados não podemos comemorar. Porém, o momento é de expectativas. E eu espero que as coisas melhorem agora, e tudo que puder fazer em prol disso eu farei, mesmo estando muito ocupado aqui no meu Estado, com o CAO e com a universidade que curso. Por falar nisso, assim que terminar os meus cursos pretendo me engajar ainda mais nas lutas pela nossa classe, a classe policial militar (independente do Estado da Federação). Por hora eu não vou me identificar, para não sofrer represálias, mas tenham certeza que eu sempre passo por aqui para ver as notícias da PM de Alagoas; aproveitando o momento, quero deixar o meu abraço a todos os milicianos daí, e em especial aos que fazem dessa página a sua bandeira de reivindicações e protesto por uma Polícia Militar melhor a cada dia. Por fim, quero dar os meus parabéns e os meus votos de felicitações aos poucos militares que foram eleitos aí no interior de Alagoas. Sabemos que estes militares, devido à pequenez dos municípios onde eles foram eleitos, não terão expressividade, mas já é um começo para se estabelecer um contato com a bancada dos partidos que tem representantes na Assembleia Legislativa de Alagoas. Por isso, façam desses militares uma ponte para as suas reivindicações. Fiquem com Deus e lembre-se: JUNTOS SOMOS FORTES E IMBATÍVEIS!

GRUPO DE PESQUISA EM SEGURANÇA PÚBLICA - GPSEG disse...

Muito boa essa postagem. O texto é pertinente e ficou excelente. Encaixa-se perfeitamente ao momento em que nos encontramos. Quanto as eleições, o governador se comprometeu em garantir a segurança e a lisura do pleito, e devido ao pouco efetivo a compra de votos rolou solta no interior, pois não se tinha efetivo para coibir essa prática delituosa nos povoados e municípios mais afastados. Resultado: grande parte dos correligionário do Téo compraram votos e, assim, o governo conseguiu mais apoio para mais uma eleição para senador em 2014. Podemos deduzir, com isso, que seria um plano arquitetado para fragilizar a PMAL e assim garantir apoio político com a eleição de “amigos” nos diversos municípios? Com a resposta: O TEMPO.

Anônimo disse...

Foi confirmado que 24 município solicitaram o envio de tropas federais motivada pela falta de efetivo para fazer a segurança durante as eleições. A falta de PMs foi tão grande, que até os bombeiros foram utilizados para guardar urnas... E o governador ainda veio dizer que não tinha nenhuma falta de efetivo...

Anônimo disse...

TEMOS QUE ELEGER NO PRÓXIMO PLEITO O MÁXIMO POSSÍVEL DE DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS PARA QUE ELES REABRAM A LUTA PELA PEC300 NO CONGRESSO E ESTA É A NOSSA BANDEIRA DE LUTA AGORA AMIGOS

Cb PM disse...

Apesar dos pesares... Apesar de muitas vezes a população não reconhecer o nosso valor, apesar do nosso governo NUNCA reconhecer a nossa importância...

Na nossa tropa, seja PM ou BM, existem muitos, mas muitos companheiros, que se arriscam, que dão o suor, o sangue, pelo seu semelhante!

Imaginem se o governo pelo menos reconhecesse o nosso glorioso trabalho...

Que bom que os bombeiros mesmo apesar da falta de estímulo conseguem fazer bem o seu papel, como nesta ação do vídeo contido no link a baixo. Ainda bem, pois assim podemos divulgá-lá, PARABÉNS! SALVAR!

http://emergencia190.com.br/interior/2012/05/03/5518/video-bombeiros-em-maragogi-realizam-salvamento-heroico-e-inusitado

Anônimo disse...

OS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS EM GERAL TÊM MAIS É QUE SE LASCAREM MESMO,ELEGERAM UM PREFEITO DO MESMO PARTIDO DO GOVERNADOR DEPOIS FICAM RECLAMANDO,CADA POVO TÊM O QUE MERECE EO MACEIOENSES,TÊM MAIS É QUE SE FUDEREM MESMO VOTARAM NO CANDIDATO DO TÉO AGORA AGUENTEM.

Milton Córdova disse...

Como estamos falando de eleições de representantes dos cidadãos policiais militares, levanto o grave problema que é o fato de boa parte dos policiais militares não conseguirem votar, no dia das eleições, porque estão a serviço da própria (IN) justiça eleitoral. Aliás, esse pais é uma piada. Bandido pode votar, com direito até a propaganda eleitoral na cadeia. Talvez até sirvam chás com biscoitos para eles. Mas o cidadão policial militar (com exceções) não pode votar. Tudo graças à omissão do TSE, dos TRE (como o TRE-AL) e dos "comandos" das policias militares, que nada fazem a respeito. Vamos Lutar para que o MI 2541, no STF, tendo como Relator o ministro Dias Toffoli seja votado. Caso contrario, iremos apresentar denuncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

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