Uma família da pesada - 1ª Parte

Tradicionalmente o Nordeste é por si uma região arraigada em valores familiares. Tal tradição estende seus designíos às parcelas do poder privado, interferindo desde os primórdios no poder estatal. Somos – aqui em Alagoas – um produto de décadas destas tradições familiares. Passadas de pai para filho, desde as capitanias hereditárias.

Quando ainda éramos um Estado agrícola (mais do que hoje, até), sentíamos a força de um poder politico de base representativa: o tal coronelismo que os livros de história contam. Eram, a grosso modo, uma forte manifestação de uma esfera privada sustentando o poder público – e vice versa.

Os compromissos, o “toma lá, da cá”, as tais trocas de proveito eram a tônica deste regime político, onde os tais coronéis prestavam serviços a políticos, e, com isso, conseguiam progressivamente fortalecer e colher destes os frutos doces em forma monetária.

Valores familiares corrompidos. A família inserta na corrupção de forma a tirar destas vantagens indevidas. Nesta esteira vislumbra-se a pior face do poder quase feudal arcaico: O Mandonismo, o Filhotismo, o Esposismo, o Irmanismo (atualmente sintetizados no Nepotismo), e por resultante disto temos a total falência e desorganização de um sistema público, como produto final.

Nos dias de hoje, na nossa Alagoas, esta relação escusa de reciprocidade nojenta ganha novos contornos e amplia a sua esfera maligna, transpondo com seus tentáculos instituições públicas e privadas, assemelhando-se a uma organização criminosa cujo formato mais aparenta com as conhecidas máfias italianas das décadas passadas, ou até mesmo as máfias de séculos passados, a exemplo da família espanhola-italiana Os Borjas (clique aqui).

Temos por dogma compreender como facção criminosa um emparceiramento de malfeitores lombrosianos, associados para o crime comum e banal: traficantes, assaltantes, assassinos. Esquecemos por esta lógica viciante que aqueles que cometem desvios do erário também são criminosos. Até mais que aqueles. Quando associam-se para a prática reiterada de fraudes, favorecimentos, benesses do poder, temos a nosso ver uma facção criminosa tal qual as anteriores. O colarinho branco não exclui o banditismo, por certo.

Numa série de três postagens vamos passar a limpo a pequena trajetória de membros de uma facção criminosa que atua em nosso estado. Uma facção que atua de forma dissimulada, inserindo seus membros em setores estratégicos e vitais do sistema, agindo de forma orquestrada e com atribuições específicas, onde o bem estar da coletividade é o que menos importa.

Conheçam – e repudiem – a Família Barros Cavalcante.

Conhecemos como o atual secretário de Defesa Social, Dário César Barros Cavalcante, chegou a ocupar o atual cargo. Uma negociata eleitoral o alçou ao cargo atual, onde segredos de seu antigo patrão (o Senador Fernando Collor de Mello) foram moeda de troca.

Alertado por caciques de seu governo (visto ser Dário a pior das opções possíveis) Teotônio Vilela decidiu pagar o preço político da escolha e desta virou refém.

Sabemos também como mantém-se no cargo. A prisão do filho do Governador em uma operação policial resultante da prisão de traficantes de droga gerou um crédito profícuo do qual o secretário não se furta em cobrar a todo instante. E assim, entre trapalhadas, tropeços, incompetência para gerir a pasta e um pouquinho de falcatruas, o inábil gestor vai equilibrando-se na corda bamba comissionada ainda que ante a total reprovação social que atravessa. Por vaidade e apego a um cargo em que nunca fora uma unanimidade.

Durante estes dois anos em que encontra-se destruindo a Segurança Pública do Estado, Dário buscou, em troca de favores, colocar nomes de sua indicação em posições estratégicas no organograma da Defesa Social. Foi assim com Luciano Silva (no Comando da PMAL) e com o ex-coronel Roberto Liberato, na Pericia Oficial. O objetivo com este último era apenas um: dominar toda a verba federal advinda através de convênios direcionados a perícia. Eliminar a autonomia desta era, para este, vital.

Quanto a Luciano, este fora por um tempo apenas usado para “pacificar” a tropa, subjugando setores que lhe poderiam manifestar qualquer oposição. Por ser arraigado a valores das fortes tradições militares, tornou-se facilmente manipulável. Porém, desde o início o intuito de Dário para com Luciano era claro: desgastá-lo, e inserir seu irmão Dimas Barros Cavalcante no controle do maior contingente da Segurança Pública de Alagoas.

A Família Barros Cavalcante agora controla a Secretaria de Defesa Social – com dotação orçamentária própria – e a Polícia Militar de Alagoas. E assim, além de ditar as normas na Perícia Oficial e na Intendência Penitenciária, com a saída de Marcírio Barenco, agora, através de Dário, controla todo o aparato de Segurança Pública Estadual. Um ótimo começo.

Agora, Dário faz jus ao nome e seu poder é o deu um verdadeiro César!

Na próxima postagem vamos mostrar como a Família Barros Cavalcante estendeu seus domínios para dentro da imprensa local, visando blindar as criticas ao insucesso e ao caos que instalou-se em Alagoas.

Continua...

8 comentários :

Anônimo disse...

não entendi o luciano entrou no comando pra que mesmo? resposta : "so para tentar excluir PPMM da coorporção".

Anônimo disse...

não entendi o luciano entrou no comando pra que mesmo? resposta : "so para tentar excluir PPMM da coorporção".

Anônimo disse...

Muito bom a reportagem. Vamos desmascarar esse facista. Mas não posso refutar em perguntar: kd a sindicância que apurou o uso de pistola ponto 40 por agentes penetenciários. Sabemos que a apuração foi feita pelo Cel Lima júnior e que tal apuração relata improbidade administrativa por parte de Luciano e Dário, o César. Kd o MP para se aprofundar nesta sindicância? bem que a briosa poderia dar uma forcinha e divulgar o resultado desta sindicância para que todos soubessem do resultado.

Anônimo disse...

Parabéns ao Briosa em Foco pelo magnífico texto. Nós que não atestamos esses falsos líderes (Cel R/R Dário César, Cel Dimas, Maj Fragoso, Sgt Teobaldo, Cb Simas, Cb Soares, etc) repudiamos esse sistema criminoso. Queremos dizer que isso também ocorre nas nossas Associações de Classes (Caixa Beneficente, ASSOMAL, ASSMAL, ACS, ASPRA, ETC), pois os falsos líderes praticam nas entidades de classes o verdadeiro nepotismo. Diga NÃO a esses falsos líderes! Vamos através do Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Justiça ingressar com as medidas cabíveis contra essa Corja. Fora Dário César, Fora Dimas, Fora Fragoso, Fora Teobaldo, Fora Simas, Fora Soares. A Polícia Federal vai ser acionada.

Um Amigo disse...

“Segurança é feita de ação e sensação”. A frase é do secretário de Defesa Social, Dário César. Com base nas palavras do secretário, se ‘segurança é ação’, valem os dados publicados pelo Estado, que dão conta da redução do índice de criminalidade, em Alagoas, entre 10% e 15%, e 20% em Arapiraca. Garante o Estado que os números são reflexos do plano piloto Brasil Mais Seguro, do governo federal, que em junho completa um ano de implantado em Alagoas.

Mas se “segurança é sensação”, é imprescindível registrar que diversos setores da sociedade não “sentem” a criminalidade diminuir. Pelo contrário: de abril até agora, Alagoas registrou episódios violentos como invasão e assaltos a residências; invasão e assaltos a bares e restaurantes, na chamada parte nobre de Maceió, entre as orlas de Ponta Verde e Pajuçara, e viu um homem caído assassinado, em plena Av. Amélia Rosa.

Os números da própria Defesa Social dão conta de que, com o fechamento do boletim de abril, 759 pessoas foram assassinadas em Alagoas. Para tentar diminuir a 'sensação' de medo da sociedade, a Segurança Pública realizou pelo menos quatro operações denominada Sensação no último mês em Maceió e cidades do interior como Arapiraca.

Somente em um fim de semana de abril, por exemplo, a própria estrutura de segurança do Estado divulgou que houve oito mortes em menos de 24h no Estado; a média diária de homicídios é de 6,33, enquanto que a média de todo ano de 2012 foi de 5,97. Para conversar sobre o assunto, Dário César recebeu a reportagem do TNH1 na Secretaria Estadual de Defesa Social (Seds).

Assaltos e invasões a casas – “O problema disso é que a população está presa ao que acontece hoje. Porque quem disse que no ano passado os assaltos também não aconteceram ou com mais frequência? A memória das pessoas é a recente, é a atual. Por isso afirmo que segurança pública é ação e sensação. Temos aí um problema estrutural, que é alagoano, e um problema conjuntural, que é do Brasil”.

Violência em bairros nobres – “Quando acontece isso na periferia, ninguém observa, mas quando atinge outras camadas da sociedade, em bairros de ricos, as pessoas reclamam, a mídia aumenta a repercussão. Em Alagoas, há muita gente do ‘quanto pior melhor’. Não quero dizer com isso que não é um problema da segurança pública. Mas só com polícia não vamos resolver a questão. Não é possível fazer só polícia ostensiva, tornar o estado policialesco”.


Veja o restante a seguir...

Um Amigo disse...

Controle da situação – “O que não aceito é pegar fatos pontuais e querer fazer disso o todo. Você acredita que eu penso ser normal haver oito mortes em menos de 10 horas? Para provar o que afirmo, em 13 de maio do ano passado foram 23 mortes em um dia”.

Corredor Vera Arruda – “Quando falamos na morte do médico no corredor Vera Arruda, chama muito atenção porque foi em uma área nobre, chama mais atenção do que na periferia. Porém, em locais que não são os chamados nobres, as mortes estão presentes todos os dias e não se dá o mesmo destaque. O que o Estado está fazendo é trabalhando para diminuir os índices de criminalidade”.

Brasil Mais Seguro fracassou? – “O Brasil Mais Seguro foca principalmente nos crimes contra a vida, em homicídios, não em furtos ou roubos. Eu não posso comentar o que esse ou aquele parlamentar comentou [deputado Jeferson Morais afirmou no plenário da ALE que o plano federal fracassou em Alagoas]. Nas palavras de quem quiser, o Brasil Mais Seguro é mal-executado. Mas digo que o programa é que o Alagoas precisa, é um programa estrutural, que possibilita a existência de uma delegacia que apure somente os homicídios. O Brasil Mais Seguro está firme, dando resultados. Foram 12 anos de curva ascendente nos assassinatos. Com o Brasil Mais Seguro isso baixou em 13%, e a própria presidente Dilma Rousseff nos parabenizou”.

Operação Mar Azul sem prisões – “Não era operação de mandados de prisão e apreensão. A proposta era mostrar a ostensividade. A questão era fazer o bandido ver que ele não vai poder andar, cometer o crime sem ser notado ou abordado. Ela cumpriu o objetivo, que era ser mesmo ostensiva. A maneira como agimos será repetida em outras operações, que naturalmente não serão divulgadas. Reconheço que essas ações deveriam ser mais constante, mas operações daquele tipo causam sentimento agradável no começo, mas depois passam a incomodar o cidadão. Polícia perto incomoda, e longe faz falta”.

Prender não dá sensação melhor – “A operação não foi feita porque fui cobrado. Acontece que estamos prendendo gente todo dia e a população não vê as ciosas por esse lado. Então pensei que poderíamos mostrar a força da segurança pública nas ruas, dando também um recado para os bandidos, de que não estamos alheios”.

Críticas de Elisabeth Carvalho – “Não perco meu sono com críticas de quem quer que seja porque se o governador Teotonio Vilela me convidou, é porque confia em mim. Quando vou dormir, eu penso que se não fizesse tudo o que faço pela segurança, a coisa estaria bem pior. E isso me dá força para seguir na minha função, que não é fácil. A crítica, de alguma forma, me constrói, enquanto o elogio pode me corromper”.

Bandido bom é bandido morto? – “Em Alagoas há pessoas saudosistas do tempo em que valia o dito ‘bandido bom é bandido morto’. Pergunto: essa postura diminuiu a criminalidade? Claro que não. Quem é jovem não deve ter visto a época em que famílias tradicionais e poderosas em Alagoas matavam, mandavam matar e tudo ficava por isso mesmo, porque eram os bons, eram fortes e impunes. Essa postura é que deve deixar de existir. Nós trabalhamos também nesse sentido”.

Mudança de leis – “A segurança pública ou o secretário não podem ser responsabilizados por tudo de mal que existe no mundo. A Justiça passou 17 anos para julgar um caso [PC Farias], 15 anos com o da Ceci Cunha, e permite que pessoas que foram presas, cometeram crimes, passem a assumir vagas na política e integrem Comissão de Justiça. E isso é inadmissível. Temos que enfrentar todos esses problemas e deixar de achar que a polícia é a responsável por todos os males. Isso é hipocrisia”.

Anônimo disse...

IRMAÕS PAREM DE PEDIR PARA QUE O MP,FAÇA ALGUMA COISA ELES TAMBÉM SÃO GOVERNO NÃO SE LUDAM,ESQUEÇAM JUSTIÇA EM ALAGOAS ELES TAMBÉM ESTÃO DO LADO DO CARA DE BURACO OK.

Anônimo disse...

olhem só os senhores -- (Cel R/R Dário César, Cel Dimas, Maj Fragoso, Sgt Teobaldo, Cb Simas, Cb Soares, etc) sgt Braz, para deputado estadual, COPOM, com certeza ira mudar, quando vc for deputado, nois praças seremos respeitados

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