Muitos de nós, ao menos a maioria dos membros do BEF, teve o
privilégio de assistir o filme “VIPs: Histórias
Reais de um Mentiroso”. Longa
metragem baseado no livro de Mariana Caltabiano, cuja reprodução às telas
incumbiu a Wagner Moura a tarefa de incorporar Marcelo da Rocha, um trapaceiro e
vigarista que tinha (desde a adolescência) dificuldades em assumir a sua
própria personalidade.
Marcelo, o Picareta, chegou até a conseguir vender
duas motos Harley-Davidson pertencentes ao Exército Brasileiro, quando de sua
passagem pelo serviço militar obrigatório. Aprontou tantas estripulias que,
dentre de seus golpes, conseguiu ludibriar pessoas da alta sociedade, como o colunista
Amauri Jr, o acionista da GOL linhas aéreas Henrique Constantino, e diversos
atores como Carolina Dieckman e Marcos Frota, para exemplificar o nível da
figura.
Preso em Bangu, no Rio de Janeiro, liderou uma das
maiores rebeliões carcerárias daquele estabelecimento prisional, fazendo-se
passar por líder de uma facção criminosa (PCC).
Tudo na base a malandragem, assumindo personificações falsas de
personalidades influentes. E convencia!
Nessa “brincadeirinha” de enganar as pessoas,
Marcelo Rocha comeu, bebeu e se envolveu
com pessoas da alta sociedade. Tudo isso sem gastar nenhum centavo e
aproveitando-se da peculiaridade do homem médio influente: bajular aqueles que
lhe parecem importantes – independente de que estes tenham ou não referências
anteriores.
Agora, de volta a nossa realidade, tendo como
parâmetro o narrado anteriormente, vemos a tropa Alagoana (a nossa tropa) ser
duramente sugada e vilipendiada por uma
dupla de picaretas que transcende a malícia de Marcelo Rocha: Os irmãos Dário e Dimas.
Faz pouco mais de 4 anos que o caldo entornou entre
a Tropa e o Comando. Especialmente quando da propagada oxigenação aos setores
de mando da tropa. Coincidentemente, há dois anos a caserna transformou-se em
um barril de pólvora temperado de dissabores e insatisfações, concernentes a
inépcia para tratar de assuntos internos e administrativos comuns de ambos,
além da crescente desvalorização interna corporis.
Atrelada a isto, tivemos uma movimentação popular
derivada à discórdia salarial agravada pelo Governo Teotônio Vilela. É unânime
entre todos os círculos de Praças e ao Oficialato subalterno e intermediário: o
que ganhamos é uma miséria.
Entretanto, a realidade é diversa quando
mencionamos os altos cargos – e nisso inclua-se a Polícia Militar de Alagoas –,
onde os que diretamente gerenciam os serviços locupletam-se de altíssimos
salários, com o mínimo de prestação de serviço a comunidade.
Citando
apenas os “irmãos Cavalcante”, temos que o primeiro (Dário César) aufere
somente em salários o equivalente à mais de R$ 30.000,00 (trinta mil) reais por
mês, valor superior ao recebido até mesmo pelo Governador do Estado (cerca de R$
17.000,00 reais), o que fere a própria Constituição Alagoana. Tudo pago por
debaixo dos panos, fruto de um irregular acúmulo da aposentadoria como coronel “fechado”,
associado ao salário comissionado, devidamente maquiado no Portal da Transparência
Ruth Cardoso. Isso, fora as diárias...
Já nosso Comandante Geral, o esperto Dimas, aufere
bem menos: cerca de R$ 16.000,00 reais ao mês, fora as diárias (com as quais
ele tem o costume gostar fora da finalidade a que se destinam, a exemplo do que
fez, quando da sua ida ao Rio Grande do Sul).
Ao que se vê, o Estado de Alagoas gasta com estes
dois pesos mortos o equivalente a quase R$ 50.000,00 reais todos os meses.
Considerando-se que o salário médio de um soldado com 0 ano é o correspondente
bruto a R$ 2.244,00 reais, poderíamos disponibilizar para a sociedade o
quantitativo aproximado de 25 soldados todos os meses; o que implicaria em um
incremento motorizado de 8 viaturas compostas por 3 homens – e ainda sobraria
um para supervisionar os demais.
Mas os problemas também são outros. A tropa
encontra-se há vários anos em uma escala insuportável, trabalhando em seu
limite. O resultado é que o efetivo próximo a 20% (cerca de 1.400 policiais)
encontram-se dispensados por estafa (ou outros problemas associados), ou com
restrições a atividade fim.
Alheios às reinvindicações de melhores condições de
serviço e de flexibilização da carga horária necessárias – ou ao menos à sua
normatização, pelo que disciplina a Constituição Federal – os super-remunerados,
Comandante Geral e Secretário de Defesa Social, estão ali para servirem de
instrumento de controle da Tropa, impedindo que a sua crescente insatisfação
chegue ao Palácio de Vidro.
Seus tentáculos já se esgueiram ao CONSEG, onde ao
invés de servir como Conselho Deliberativo em busca de melhorias para a questão
problemática da segurança, servem a interesses menores do governo, onde até
mesmo a proposta visando a dificultar a aquisição de licenças médicas – cujo
caráter originário é a incapacidade física para o serviço – é amplamente
discutida. Enfim: querem legislar sobre o estado de saúde do PM, proibindo-o de
adoecer.
Com seus salários faraônicos e locupletando-se de
picaretagens, os irmãos Cavalcante vão seguindo manchando suas páginas na História
da nossa PM, com seu trabalho reduzido – escalas de 6 horas diárias de segunda
a sexta – e deleitando-se em noites de sono diariamente, são o antagonismo da
tropa, que do soldado ao major concorrem as escalas ordinárias deteriorando
seus corpos nas noites violentas do Estado.
Os irmãos
Cavalcante comem, bebem, dormem e envolvem-se com figuras da alta sociedade, com
espeque na malandragem e transpassando a estas a falcatruas do seu mister,
aplicam seus golpes perante as demais autoridades, certos de que a impunidade para
incompetência lhes será amplamente recompensada ao final de cada mês.
Os finais de semana para nós são tortuosos, pois
deixamos a nossa família em casa, adentramos às perigosas e superfaturadas
viaturas locadas e saímos às ruas para fazer a nossa greve branca, a nossa
vista grossa de cada dia. Doutro bordo, nossos comandantes fazem basicamente o
mesmo: enganam a população comparecendo ao seu serviço diário de “seis
horinhas” e aos finais de semana, seguem para pilotar as suas lanchas (?!)
pelos balneários mais badalados de Alagoas.
Seguindo a esteira do descomprometimento, ante a
explosão da violência – anteriormente restrita ao final de semana, mas que
agora já avança assustadoramente para os dias ordinários – o senhor secretário
continua em Brasília, envolvendo-se em questões avessas à nossa situação atual,
demonstrando com isso estar cada dia menos interessado num resultado prático
que vise a frenar nossos funestos índices de mortandade violentos e cada dia
mais perdido na administração da pasta.
Tudo na base da “Ousadia e Alegria”!
Não
podemos continuar a acender velas por nossos mortos e por isso precisamos
eleger um deputado estadual para representar os
nossos interesses!