Aprendemos desde cedo a temer o governo e, por
consequência, a não nos interessar pelo ativismo social – melhor adubo para o
solo democrático.
Na minha geração, nos ensinavam na escola que
exigir direitos nas ruas era coisa de baderneiro, e que o resultado seria
apanhar da polícia ou parar na cadeia. Os homens eram “educados” para trabalhar
feito burro de carga, sem protestar, e criar a família. Nós, mulheres, para
arranjar um bom casamento e ficar o mais longe possível de política. Não
aprendemos, até por conta de não nos terem ensinado, a assumir a atitude de
cidadãos e exigir nossos direitos, doesse a quem doesse.
Em síntese, o Estado Brasileiro foi (e continua
sendo) usado pelos políticos corruptos e pelos poderosos insensíveis como
instrumento para apequenar o povo, seja através de uma educação de faz-de-conta
nas escolas públicas e privadas, seja condenando a grande massa de
trabalhadores a viver de salário mínimo, seja mediante o uso da força descomunal
do Poder Público, exasperado pela brutalidade da força policial (utilizada como
escudo das mansões e dos palácios da elite ambiciosa).
Ficamos calados, em nome da “ordem social” (a “deles”,
claro), enquanto os tubarões devoram sem dó o dinheiro público e condenam o
povo mais humilde a uma vida de privações e de falta de oportunidades iguais
para todos.
Por ironia do destino, muitos jovens que nascem com
a veia revolucionária pulsando no coração acabam, por falta de perspectivas,
ingressando na carreira policial. Pior ainda: na Polícia Militar, instituição
ainda encharcada de um mal cheiroso e desnecessário militarismo.
Na PM do atraso, a voz que já era abafada, se cala
de vez. Não se engane: a força policial da qual somos “soldados leais” tem sido
a grande arma nas mãos dos governantes contra as legítimas e necessárias
mudanças sociais, vindas da base do povo. E quanto mais nós combatemos as lutas
populares, pior para os policiais.
O governo conseguiu incutir nas cabeças dos
policiais militares que eles NÃO são integrantes da sociedade, e, mesmo
oprimidos, devem “cumprir seu dever” à risca (como hoje cedo, quando da
reintegração de posse de um terreno na parte alta de Maceió – clique aqui),
porque seriam um organismo “apartado” do convívio social.
Enquanto os BOPES da vida arremessam bombas de
efeito moral contra manifestantes, granadas de gás lacrimogêneo, sprays de
pimenta e balas de borracha, menos os governadores reconhecem nossos valores. E
mais os quartéis nos oprimem.
Até agora não ouvi levantar-se uma única voz para
dizer ao público que os policiais militares estão se matando de trabalhar
durante as manifestações que têm varrido as cidades brasileiras.
Exaustos, sem direito a folga, correndo riscos
enormes o tempo todo, são os burros de carga desse maldito sistema opressor.
Soldados exaustos defendem com seus escudos e suas
vidas esse sistema político falido, escorado na corrupção, nas negociatas e no
assalto aos cofres públicos. E quando a população levanta-se em prol de algo,
um objetivo qualquer, tem que ser combatida a qualquer custo.
Apesar dos pesares, os policiais estão sempre na
fita do governo, defendendo gente como Teotônio Vilela Filho, Geraldo Alckmin
(SP), o arrogante Sérgio Cabral (RJ), o prefeitinho fabricado pela dupla
Lula/Dilma Fernando Haddad, e tantas outras “autoridades”, que o povo elege
para depois ser esquecido e jogado em quinto plano. A polícia defende os maus
poderosos. E com que vigor a polícia os defende!
Será que tudo isso vale a pena, miliciano?
“Servir e proteger!”
Proteger a quem mesmo?
Quando é que a polícia vai estar ao lado do povo,
seu verdadeiro lugar?
Quando é que o povo vai ver na polícia PROTEÇÃO e
não REPRESSÃO?
É certo: as polícias dos Estados brasileiros não
estão conseguindo proteger a população da violência urbana, dos bandidos, dos
assaltos, dos roubos. Não há efetivo, não há recursos para investimentos, e
outras desculpas recorrentes dos governos estaduais.
Mas, toda vez que as pessoas começam a se levantar
contra essa “ordem” social de fachada, os policiais parecem cair de árvores.
Rapidinho aparece armamento, viaturas, o BOPE é equipado às pressas, os
oficiais comandantes aparecem dando entrevistas com olheiras de preocupação. E
alguns militares – alienados – ainda chamam os manifestantes, mesmo pacíficos,
de “baderneiros”.
Para proteger os políticos, vemos, por um passe de
mágica maligna, diga-se, aparecer, de repente, tudo o que falta no dia-a-dia
das polícias. Qualquer ameaça ao Poder levanta um exército de policiais
dispostos a dar a vida para proteger charlatões da política, evitando os atos
públicos, muitas vezes legítimos e não violentos.
Aí a gente vê uma carrada de oficiais superiores
(os mesmos que não estão nem aí para os problemas de segurança pública)
limparem as teias de aranha das fardas e correrem a lamber as botas do
governador, posando de abnegados “comandantes”, exigindo da tropa todo o seu
suor e sangue para afastar “esse povo incômodo”.
“BASTA!”
O povo acordou e foi para as ruas, e quer mudanças.
E já conseguiram provocar uma reunião em Brasília, com a Presidente Dilma e uma
penca de governadores e prefeitos descompromissados com o povo; incompetentes.
O recado da Presidente foi claro, nas entrelinhas: “VOCÊS, SEUS INCOMPETENES, SÃO OS RESPONSÁEIS
DIRETOS PELA FALTA DE QUALIDADE E AUSÊNCIA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS NOS ESTADOS.
PRINCIPALMENTE VOCÊ, SEU TEOTÔNIO, QUE NÃO CONSEGUE IMPLANTAR UM PLANO DE
SEGURANÇA MESMO COM A UNIÃO DERRAMANDO UMA MONTANHA DE DINHEIRO EM ALAGOAS, SEU
CAFAJESTE.”
É isso mesmo, ele estava lá, posando de bonzinho;
justo o pior entre os piores: Teotônio Vilela Filho, Governador do Estado de
Alagoas, o cara que encarna a mais sacana e escancarada expressão do desprezo
absoluto com a coisa pública e desconhecimento das engrenagens sociais de base.
O cão de guarda das elites alagoanas, que fareja
marketing pessoal como um abutre fareja carniça; um lacaio apossado da caneta
do Poder Executivo, criador e multiplicador das desigualdades sociais, da
monocultura da cana-de-açúcar, da falta de educação, do sucateamento da saúde
pública e da “zorra” que é a infraestrutura. Por excelência, o maestro mor da
corrupção e da farra com o erário.
O governador é um homem rico, não liga pra pobre.
Nunca frequentou escola pública, nunca pegou um ônibus, nunca comeu uma boia
fria nem morou em favela. Nunca se viu sem dinheiro para comprar a alimentação
ou o remédio do filho doente, e sempre teve lazer do bom e do melhor para a
família e para ele próprio. Está no poder faz três décadas, e fala dos problemas
de Alagoas como se nada tivesse a ver com isso.
Teotônio é um arremedo de homem, frio e calculista
como uma cobra cascavel. A morte e o sofrimento alheios não causam nele
qualquer reação, sentimento ou comoção. O sangue dele é frio como de um réptil.
Mas, ao contrário do réptil, aquecido ao sol, o governador se aquece com
generosas doses de cachaça e com o calor das mãos dos bajuladores a “puxar”
nele todos sabem o “que”.
Por tudo isso, Teotônio Vilela é o dedo (indireto)
que puxa os gatilhos das armas de fogo responsáveis pela morte precoce de
milhares de jovens dessa Província loteada aos poderosos.
É esse tipo de homem que os policiais militares são
forçados a defender. Ele faz da polícia o canal por onde o governo
oprime o povo com seu poder bélico, econômico, político e jurídico.
É inconteste que os militares alagoanos estão de
parabéns pelo jeito hábil de conduzir os conflitos. Mas, se você for chamado ao
conflito, lembre-se: nossa guerra não é contra o povo, mas contra políticos da
laia desse governador, porque são eles que se negam a ampliar nossos direitos,
e dão todo apoio a oficiais que oprimem a tropa, pela via do cabresto RDMAL.
Não esqueça, também, que seus filhos estão torcendo
pelos jovens manifestantes. Lembre-se ainda que o movimento já deu resultados
positivos, como: Redução de tarifas, evitou o aumento das tarifas em Alagoas,
começou o “FORA TÉO”, provocou uma reunião de cúpula em Brasília, onde surgiu o
“pacto” pela melhoria dos serviços públicos e promessa de se votar no Congresso
a reforma política, e fulminou a PEC 37 (PEC do PT).
Principalmente, esse movimento mostrou que a “galera
do Facebook” conseguiu a “acordar o gigante”. E duas frases, a nosso ver, são
as mais emblemáticas dessas manifestações:
1. “O POVO BRASILEIRO ALTEROU SEU STATUS DE ‘DEITATADO
ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO’ PARA ‘VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE À
LUTA’”; e
2. “DESCULPE O TRANSTORNO, ESTAMOS MUDANDO O PAÍS”.
Se a “galera do Facebook” conseguiu, imagine o que
nós, unidos, também podemos conseguir...
Imagine:
“OS POLICIAIS MILITARES ALTERARAM SEU STATUS DE
‘SOMOS SOLDADOS LEAIS’, PARA ‘SOMOS LEAIS, MAS SEM ABRIR MÃO DE LUTAR POR
NOSSOS DIREITOS”, ou
“DESCULPE O TRANSTORNO, ESTAMOS MUDANDO A
POLÍCIA”.
E aí, miliciano (a), vai encarar, ou vai vestir a
farda e defender o Téo?
Aproveitem, e vejam o vídeo que está bombando na
internet: “Não, eu não vou à copa do
mundo”.
Eis mais razões para entendermos que:
Precisamos
eleger um Deputado Estadual para representar os nossos interesses!